original music

TERRA BRASILIS

TERRA BRASILIS (2011) OVERTURE FOR ORCHESTRA
Commissioned by Fundação OSESP | c.a. (5 minutes)

RENTAL INFORMATION

Please contact Osvaldo Sheronick for quotes, perusal scores and more information about this work. You may also use the website's contact form. (This work is published by Criadores do Brasil)
instrumentation
WINDS
Piccolo
Flute(2)
Oboe
English Horn
Clarinet in Eb
Clarinet in Bb
Bass Clarinet
Bassoon (2)
Contra Bassoon
BRASS
Horn(4)
Trumpet in C (4)
Trombone (2)
Bass Trombone
Tuba
Timpani
Timpani
Percussion (3) *
Harp
Piano
Strings
Perc. 1
crotales, (may be bowed or struck)
large bass drum
brake drum
maracas
toms
(hard drum sticks, soft yarn mallet)
hi-hat
crash cymbal
Perc. 2
large tam tam (may be bowed, struck and scraped by a coin)
suspended and sizzle cymbals (may be bowed or struck)
maracas (and/or cabasa)
vibraphone
sandpaper blocks
berimbau
woodblock
whip
castanets
Perc. 3
2 maracas (small and large)
whip
lion’s roar
large (resonant) metal wind chimes
snare drum
tambourine
marimba
metal pipe & ceramic tile
(to be struck with drum sticks)
9’ inch opera gong ‘gliss gong’ (
gliss up)
program notes:
POR ANDREA SANTIAGO

A obra TERRA BRASILIS, uma fantasia sobre o hino nacional, conta - condensadamente e em velocidade acelerada - um pouco da formação da história do Brasil. Desde o descobrimento até às invasões pelos países vindos dos quatro cantos do mundo que, de certa forma, contribuíram para a miscigenação nacional, tais como: japoneses, sírio-libaneses, judeus, espanhois, italianos e franceses, todos buscando na terra nova, uma vida melhor.  

A obra foi concebida quase como um curta-metragem, embora com pouca duração, compreende-se uma história precisa pela força das imagens evocadas nela. Os fragmentos do hino são introduzidos intercaladamente com referências musicais das culturais presentes no país. O revezamento entre os trechos e as diferentes culturas dá um tom bem-humorado até o término da obra quando se pode, finalmente, ouvir o hino quase em sua totalidade.

TERRA BRASILIS começa no interior do navio de Pedro Alvares Cabral. Surpreso ao avistar uma terra inexplorada não consegue conter-se de emoção, seu coração acelera e a ansiedade parece apressar sua chegada em solo firme.  Uma vez dentro da área selvagem, os olhos dos exploradores não conseguem crer na beleza do ofuscante país tropical e nas possibilidades de rumos lucrativos.  Embriagados pela novidade, começam a peregrinação pelas matas, abrindo caminhos e desbravando horizontes: é nesse momento, a introdução do motif principal do hino. 
A partir daí, não existe um compasso sem referências musicais ao mesmo.  

 A passagem de tempo é marcada pelos primeiros acontecimentos históricos mais relevantes da nossa história, tais como o impactante encontro dos índios com as enormes caravelas portuguesas, a introdução e permanência dos africanos explorados como escravos - na obra aparece como símbolo de trabalho e construção representada musicalmente por uma bateria de percussão. Esses sons de percussão serão tirados de objetos cotidianos, por exemplo, de ferramentas de trabalho como o metal, martelo e pedaços de azulejo. Esta sessão termina  sobreposta ao início de outra sessão representando a vinda da corte Portuguesa para o Brasil, que é simbolizada por uma re-orquestração divertida de temas do hino nacional como um concerto para piano e orquestra, de compositores europeus do período clássico. 

Muito en passant, tambores militares rufam aludindo a algumas rixas, brigas e invasões de menor importância em solo brasileiro e, finalmente, a imigração, de fato, começa a se intensificar e marcar território.  Como não bastando os indígenas nativos, os portugueses e os negros trazidos por eles, mais desbravadores de tantas outras naturalidades atracam em nossas baías: aqui já começa a nossa mistura. 
Escalas árabes com japonesas, percussões da China, Hava naguila acompanhada por uma tarantela, tudo isso associado a fragmentos ainda não completamente formadores do nosso hino, que pouco a pouco, vai tomando forma até chegar na coda,  onde ele é exibido quase por completo.  

TERRA BRASILIS é uma homenagem a nossa terra que foi coberta com a colonização, ao povo que aqui se criou, à mistura das culturas e à miscigenação de uma raça que, ainda, aos poucos, assim como essa fantasia, se completa em fragmentos. A descoberta do Brasil vai sendo feita desses intervalos de culturas e na capacidade de aceitar o que vem de fora sem perder seus próprios valores e o bom-humor característico, hoje, de todo povo brasileiro.

reviews:
"The curtain-raiser was a new work by Clarice Assad, the 34-year-old eldest daughter of Sergio Assad and one of Brazil’s brightest young composers. Her Terra Brasilis, a five-minute curtain raiser, is based on the Brazilian national anthem, and keeping it always near the surface, treats it to a variety of effects from the mysterious, to the neo-classical, to a toe-tapping syncopated section, to a harmonisation of delicious warmth – the audience clearly loved it and responded openly to Assad’s affectionate riff on a well-known melody that’s pretty lively to start with."
GRAMOPHONE

"O concerto iniciou-se com a estreia da encomenda que a Osesp fez à compositora Clarice Assad, Terra Brasilis – Fantasia sobre o Hino Nacional. Clarice conta, no texto impresso na revista Osesp, que a Fantasia é toda baseada em fatos relevantes da história do Brasil, quase como um programa. Multifacetada, rica em cores e com bonitos trechos líricos, a música atravessa diversas atmosferas, sempre evocando motivos de nosso hino. Bem amarrada em sua forma livre, Terra Brasilis merece ser tocada mais vezes. (Clarice Assad é filha de Sérgio Assad, um dos irmãos Assad do famoso duo de violões. Compositora, pianista e cantora, Clarice trafega com naturalidade entre o jazz e os clássicos, desenvolvendo destacada carreira no exterior, já tendo sido indicada para o prêmio Grammy por melhor composição clássica contemporânea.)"
REVISTA CONCERTO

Osesp se apresenta na sede da Filarmônica de Berlim

Antes, a abertura da noite coubera a Terra Brasilis, de Clarice Assad. Essa "fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro" acompanha a dupla Osesp-Alsop desde o primeiro concerto da norte-americana como diretora musical da orquestra, em março de 2012.
Em seus sete minutos de duração, a peça estabelece a compositora carioca como uma orquestradora inspirada e segura de si. A partir de um "caos primordial" (evocativo da mata tropical virgem?), ela faz emergir fragmentos da melodia de Francisco Manuel da Silva, aí as células vão se aglutinando, transformando-se em frases; ritmos populares despontam. Cresce o temor no ouvinte mais crítico do nacionalismo compulsivo de parte da música moderna brasileira: será que a coisa vai - mais uma vez - acabar em samba? Ou numa apoteose patriótica? Alarme falso: aqui, Assad se revela também uma estrategista musical hábil: ela dá o esperado final bombástico a seu mini-poema sinfônico, mas sabendo contornar a gratuidade.
DEUTSCHE WELLE